Bitcoin – P2P X Exchanges

Bitcoin – P2P X Exchanges
02/14/2017 admin

A origem dos bancos está diretamente fundamentada na relação de confiança que se estabeleceu entre, de um lado, os proprietários de recursos financeiros e, do outro, pessoas e instituições que se dispunham a atuar como depositários de tais recursos.

Na contramão, crises econômicas como a de 2008, originada nos Estados Unidos, impulsionaram o aumento da desconfiança no sistema bancário.

Neste contexto, em 2009, uma pessoa ou conjunto de pessoas (não se sabe ao certo) de pseudônimo Satoshi Nakamoto resolveu criar um sistema de transferência de recursos de uma parte à outra sem que fosse necessário qualquer tipo de validação centralizada (bancos, governos ou outras instituições).

Esta transferência de recursos ocorreria em ambiente digital. À unidade digital transacionada deu-se o nome de bitcoin e a rede tecnológica que daria suporte às transações passou a ser comumente denominada blockchain, devido ao fato de as diversas transações ocorridas serem registradas de tempos em tempos em blocos sucessivos.

A aquisição de bitcoin se dá, atualmente, de duas maneiras: (i) através da compra de bitcoin, e (ii) através da mineração, que é a atividade de validação do sistema.

Com a popularização do bitcoin e consequente aumento da demanda, e frente à sua limitada oferta, o preço do bitcoin aumentou, passando a ser um interessante ativo de investimento.

Neste contexto, assistimos à criação de empresas chamadas “exchanges” de bitcoin, que intermediam as relações entre quem quer comprar e vender tais ativos digitais. Basta criar um cadastro junto às exchanges, enviando documentos pessoais de identificação, enviar para a sua base bitcoins ou recursos em moeda nacional, conforme o caso, e efetivar a operação de compra e venda através do seu sistema, sem a necessidade de estabelecer uma relação direta com a contraparte comercial (comprador/vendedor de bitcoins).

Muitos questionam a lógica da existência de exchanges em um mundo de trocas que, nativamente, pretendeu ser direto e sem intermediários (sendo tal relação direta chamada “Peer to Peer” ou “P2P”). É comum ouvir interjeições no sentido de que isto seria paradoxal e contrário à proposta inicial de descentralização.

Ao meu ver, não há qualquer tipo de paradoxo. Não obstante a rede blockchainvenha se provando bastante sólida e confiável para a realização de transferência de bitcoins, infelizmente, no “mundo real”, a desconfiança faz parte da natureza humana, justificando, portanto, a existência de intermediários como as exchanges para servir de ponte de confiança entre os envolvidos – na medida em que automatizam o processo de transferência de recursos financeiros e/ou de bitcoins entre as partes envolvidas simultaneamente, sem dar margem ao desfazimento de operações já acordadas.

Não apenas não vejo contradição como também considero extremamente positiva a existência de tais instituições. Tornando-se este canal de confiança e também trazendo praticidade à operação comercial de compra e venda, ajudam a popularizar o uso de bitcoins por leigos.

Diante disto, e não obstante a inicial complexidade de compreensão da operação das exchanges, que, confio, será superada com brevidade, acredito que o blockchain e toda a economia que está se formando em torno dele serão altamente beneficiados pela existência e proteção destas empresas, que deve ser estimulada enquanto avançam os estudos sobre o tema e a correspondente parametrização legal.

E, para os mais puristas – e mais profissionais -, sempre restará a opção e operar no P2P, sem a necessidade de intermediários.

Rosine Kadamani – Co-founder
Blockchain Academy