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A aposta dos líderes da indústria cripto no protocolo Bitcoin

A aposta dos líderes da indústria cripto no protocolo Bitcoin
20 de abril de 2021 Vinicius Chagas

A aposta dos líderes da indústria cripto no protocolo Bitcoin

A importância do aperfeiçoamento das redes abertas a longo prazo

 

 

Por Tatiana Revoredo

 

 

Sucesso e Descentralização

Créditos da imagem: Tatiana Revoredo

Recentemente, o expert em Bitcoin e em redes abertas Andreas Antonopoulos disse no começo de fevereiro que já usa a Lightning Network (solução de segunda camada para a escalabilidade do bitcoin) há 2 anos, e que inclusive já a usa para folha de pagamento mensal. Mas que ele está “focado na inclusão econômica, que requer dinheiro descentralizado ‘unstopable’, o que requer um mercado de taxas”.

 

 

Tweet do @aantonop

Se quiser saber mais sobre Lightning network e outras soluções de escalabilidade, leia aqui.

Mas você deve estar se perguntando: “qual a relação do comentário do Antonopoulos com nosso artigo de hoje?”

 

Consertando o carro em movimento…

Mencionei o post acima para destacar que:

A rede Bitcoin, assim com outras redes de código aberto, está em constante aprimoramento.

Daí porque, tem sido anunciado o lançamento nos próximos meses do Taproot – o maior upgrade do Bitcoin desde 2017, que melhorará sua pilha de software, aprimorando a escalabilidade da rede, a privacidade das transações, a custódia, além viabilizar “contratos inteligentes” mais leves e complexos.

Mas se as redes de código aberto estão em pleno desenvolvimento, com a entrada de novos players a cada dia (como tem acontecido na rede bitcoin e que levou a capitalização de mercado a 1 trilhão de dólares), o que isso significa para a descentralização?

 

No lançamento do Bitcoin do Satoshi…

Uma das coisas importantes que tenho observado desde que passei a me dedicar ao estudo de blockchain e redes distribuídas é:

O grau de requisitos de uma rede de código aberto muda com o tempo.

Logo, o lançamento de qualquer protocolo de rede de código aberto “descentralizado” começa de um ponto central, mesmo que seja o bitcoin do Satoshi.

E assim, as redes com o tempo (e especificamente as redes descentralizadas de modo geral) nascem centralizadas e, pouco a pouco, ganham corpo e crescem em operações de “nodes” (participantes em uma rede distribuída).

Portanto, cada vez que pensamos em descentralização, deve haver milhares de custodiantes de rede individuais e independentes uns dos outros em várias dimensões.

 

A importância da descentralização

Há muitas corporações e investidores interessadas em projetos Blockchain e, dependendo do momento em que o desenvolvimento da rede esteja, a pressão provocada pela entrada de um enorme volume de capital na rede pode sobrecarregar um projeto que ainda precise de consideráveis melhorias estruturais.

Esta “pressão” pode, por exemplo, levar os custos de transação a patamares altíssimos que acabe inviabilizando os projetos desenvolvidos na rede blockchain, porque a infraestrutura da rede ainda não estava pronta para comportar aquela demanda.

Há tantos componentes diferentes que compõem uma rede que podem afetar a descentralização.

O aperfeiçoamento de uma rede Blockchain leva tempo, e exige um contínuo aprimoramento.

Bem por isso, a palavra-chave aqui é a “descentralização progressiva”, proporcionando capacidade de rede aos seus custodiantes e uma rota sustentável para a evolução da rede. Daí, pode-se extrair a importância da descentralização.

A descentralização é importante porque sua implementação total em uma rede possibilita seu uso “por qualquer pessoa” e com “custo quase zero”.

E isto exige tempo e foco no desenvolvimento da rede.

Logo, esse é um ponto muito importante quando se começa a trabalhar de forma centralizada com um projeto que busca a descentralização.  A contagem de cada “node” deve ser considerado um indicador abstrato do grau de descentralização.

Como nada melhor que exemplos para compreender algo, veja na figura abaixo redes que são razoavelmente novas e que tem se expandido nos últimos anos.

 

Desenvolvimento de ferramentas conforme estágio de cada projeto

Copyright @ Tatiana Revoredo, 2021

Observe na imagem acima onde algumas dessas redes precisam ser aprimoradas, o que na figura abaixo está enumerado abaixo do número de nodes. Na rede Bitcoin, pex., há exigências de aprimoramento nos sistemas de backup locais, deployment plugins, monitoring plugins, etc.

Ora, essas melhorias e o balanceamento da infraestrutura após tais melhorias mudam constantemente, porque as necessidades dos “custodiantes da rede” se alteram com o tempo (algumas exchanges têm requisitos de infraestrutura diferentes, etc.)

Pois bem, um dos pontos-chave que é preciso ter sempre em mente é…

Redes blockchain são um jogo coletivo a longo prazo, e levam tempo para serem construídas.

Outro ponto muito curioso e interessante é que cada rede fala sua própria língua, mas procura desenvolver logo no início os mesmos padrões, para garantir que a rede blockchain seja funcional e alcance sua missão – inclusão econômica, ativo de proteção de riqueza, por exemplo.

Muito disto envolve assegurar que os incentivos e a configuração econômica de uma rede permita que ela se torne descentralizada ao longo do tempo.  E para isto, a educação dos participantes de uma rede blockchain é essencial.

 

Takeaway

É preciso tomar cuidado para que os participantes de uma rede blockchain não acabem considerando apenas um interesse periférico, ou o interesse dos maiores custodiantes de uma rede blockchain, desconsiderando a missão principal do projeto.

Imagem de Tatiana Revoredo

Para um ecossistema validado e próspero, muitos componentes diferentes e precisam ser considerados – como escalabilidade, cibersegurança, descentralização, dentre outros.

Não à toa,  líderes da indústria cripto como Cameron e Tyler Winklevoss da Gemini, o CEO da Microstrategy Michael Saylor, e o CEO da Square Jack Dorsey, anunciaram apoio ao novo programa do MIT-DCI. O Digital Currency Initiative é uma iniciativa do MIT Media Lab, uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento sobre moedas digitais que já existe há quatro anos e agora, está direcionando seus esforços para fortalecer e financiar o desenvolvimento da rede Bitcoin.

 


 

Tatiana Revoredo

Chief Strategy Officer na empresa The Global Strategy

Membro fundadora da Oxford Blockchain Foundation. Representante do European Law Observatory on New Technologies. Estrategista em Aplicativos de Negócios Blockchain pelo MIT. Estrategista em Blockchain pela Saïd Business School, University of Oxford.

Autora dos livros “Criptomoedas no Cenário Internacional”, “Blockchain – Tudo o que você precisa saber”, e “Bitcoin, CBDC, DeFi e Stablecoins – Qual o futuro do dinheiro”.