Por Juliana Sato*

O problema

A discussão sobre diversidade de gênero tem sido pauta nas mesas das grandes corporações, governos e, também, dentro dos nossos lares. Essa temática pode até parecer clichê, mas ela é bastante necessária, uma vez que ainda surpreende mulheres e homens frente às diversas perspectivas e particularidades do assunto.

Olhando para a criptoeconomia, a história não poderia ser diferente, já que esse segmento une mundos em que as mulheres ainda são pouco representadas: o mundo financeiro e o mundo tecnológico. Historicamente, as mulheres foram obstadas de praticar de forma regular determinadas atividades consideradas de “homem”, contudo, graças a inúmeras mulheres antes de nós, esse cenário tem aos poucos mudado, afinal, lugar de mulher é onde ela quiser.

Se isso parece ser tão óbvio, por que ainda temos tão pouca representatividade no topo da pirâmide das grandes corporações? Ou, como é possível estarmos falando sobre violência doméstica em pleno século XXI? Como ainda podemos estar lutando contra a mutilação feminina ou contra o casamento de meninas de 10 anos com homens de 30-40 anos?

Me parece que a resposta seria porque ainda vivemos em um mundo patriarcal, controlado, centralizado, analógico e principalmente dominado por inúmeros “protocolos” e “verdades” que nos amarram desde o momento em que estamos no ventre de nossas mães. 

Até aqui, você, leitor, deve estar pensando, o que ela está dizendo? Vai vir mais um texto sobre “queima sutiã”, “igualdade”…

Na verdade, o paralelo que eu quero traçar aqui é: 

 

O que a criptoeconomia tem a ver com a discussão sobre a diversidade de gênero no mundo? 

No momento em que Satoshi Nakamoto publicou o Whitepaper sobre um modelo de dinheiro descentralizado, digital, sem intermediadores e com base na “desconfiança” dos seus participantes – que mantém a confiança por meio de uma infraestrutura tecnológica robusta -, ele trouxe ao mundo tudo aquilo que o atual modelo financeiro não quer permitir e que o próprio mundo tecnológico recepcionou, inicialmente, de forma cética. 

Desde o seu lançamento, o Bitcoin e todo seu ecossistema foram vistos com olhar de desdém (iniciados por cypherpunks, anarquistas, hackers, nerds, loucos, passando por criminosos, traficantes, piramideiros….). 

Contudo, a partir dos últimos 2 anos, e em especial no ano passado em que vivenciamos uma pandemia global que atingiu todos os mercados, a criptoeconomia deixou de ser assunto escondido e passou a ser tratado nas mesas de reunião de grandes corporações, governos e instituições financeiras como uma alternativa de ativo de investimento e alocação de recursos.

A criptoeconomia é nova, está começando a ser melhor compreendida e entendida por grandes empresários, corporações, governos e está aos poucos quebrando os dogmas e preconceitos existentes.

 

E a diversidade de gênero nisso tudo?

Desde que as mulheres iniciaram suas pequenas revoluções ao redor do mundo buscando melhores condições, reconhecimento e validação dentro da sociedade, elas vêm buscando um modelo de sociedade descentralizado; no qual, a diversidade e pluralidade de visões sejam complementares sem a necessidade de um “intermediador” ou “centralizador” no meio das relações. 

E, isso só será possível quando não apenas as mulheres entenderem a real necessidade e importância dessa discussão, mas também todos os homens. É necessário entender que a diversidade de gênero não é uma luta entre HOMENS x MULHERES, ou o famoso “Fla x Flu”, “Corinthians x Palmeiras”. São complementares, são ações conjuntas que transformam o ambiente e a forma como as coisas são feitas.

Isto é, a partir do momento em que o mercado financeiro tradicional, governos se permitiram entender a tecnologia e os princípios da criptoeconomia, consequentemente, se permitiram avaliar potenciais ganhos e riscos decorrente da abertura desse novo modelo. Dessa forma, todos parecem ganhar até o momento, de modo que podemos observar benefícios para todos os envolvidos. E, nesse sentido, é que a discussão sobre diversidade de gênero é tão relevante para todos.

Que neste dia internacional das mulheres, possamos nós, como sociedade, darmos mais um passo para permitir conhecer melhor o quão importante é ter diversidade nos diversos fóruns de poder, além de criarmos mecanismos de proteger nossas meninas-mulheres para a construção de um futuro melhor.

 

 

Juliana Sato – Strategy Advisor da Blockchain Academy. Advogada especialista em distressed assets. Atua no mercado de capitais há 8 anos. Pós graduada em Processo Civil e Direito Empresarial pela FGV com extensões executivas em administração e finanças pela University of La Verne e Insper, bem como direito falimentar comparado pela University of Oxford e Columbia Law School. Cursando bacharelado em Gestão da Tecnologia da Informação pela FIAP.