Português English

Criptomoedas sofrem desvalorização em 2018

Criptomoedas sofrem desvalorização em 2018
30 de novembro de 2018 admin

Criptomoedas sofrem desvalorização em 2018

Por Carmen Nery | Para o Valor, do Rio

A utilização das moedas digitais como meio de pagamento ainda vai levar um tempo para se consolidar. Há dificuldades de tempo de processamento e pouca demanda de estabelecimentos e prestadores de serviço. Para remessas e transações internacionais, porém, as criptomoedas vêm mostrando seu potencial.

“Um fator que diminui o potencial como meio de pagamento é que 70% das pessoas que compram bitcoins são holders: compram o ativo para guardar, esperando uma valorização”, diz Mayra Siqueira, supervisora de marketing da Fox Bit. Outros 25% gostam de negociar com frequência, para ganhar com a volatilidade da moeda. E apenas de 5% a 10% usam a criptomoeda como meio de pagamento. “Para quem recebe é mais como um reforço de marca.”

Por razões opostas, 2017 e 2018 foram anos atípicos para as moedas digitais. Após o rali de 2017, quando o bitcoin atingiu o pico de mais de US$ 19 mil; 2018 foi o ano da ressaca, com a terceira maior queda depois da depreciação de 93% verificada em 2011 e de 84% entre 2013 e 2015. Na segunda-feira, o bitcoin chegou a US$ 3,6 mil.

Ao longo do ano, porém, a moeda mostrou uma certa estabilidade na faixa de US$ 6 mil. Fernando Ulrich, analista chefe da XDEX – plataforma de compra e venda de criptomoedas com investimento dos controladores da XP -, diz que o que houve em 2018 foi uma depuração após a excessiva valorização do ano passado.

“Há uma reavaliação dos criptoativos que ainda estão no início de uma revolução tecnológica”, pondera Ulrich. Para ele, como meio de pagamento corrente, numa economia doméstica, as moedas digitais têm pouca relevância.

“Elas não são tão rápidas, eficientes e escaláveis como as moedas centralizadas. E ainda há o fator volatilidade. Mas, para transferência internacional, não tem nada mais rápido, seguro, transparente e menos custoso”, analisa.

Rosine Kadamani, cofundadora da consultoria Blockchain Academy, observa que, desde 2017, o bitcoin perdeu parte da dominância que tinha em relação a outras moedas, que já havia sido de 90% do total de criptoativos, caindo para algo entre 30% e 40%. Estima-se que existam hoje mais de 2 mil moedas digitais. Isso porque surgiram alternativas que se propuseram a resolver problemas que o bitcoin não resolve.

“Moedas como o Lite Coin são mais rápidas e mais leves que o bitcoin original, que, em janeiro, completa 10 anos. O Monero permite maior privacidade. E o Ripple tem se mostrado a melhor alternativa para câmbio e transferências internacionais”, afirma Rosine.

Ela explica que a derrocada recente deve-se a desentendimentos da comunidade após a segunda divisão do bitcoin cash, que já era uma derivação do bitcoin. O movimento, conhecido como fork (garfo, bifurcação) surgiu da parte de algumas pessoas que cuidavam da manutenção do bitcoin e propuseram outro caminho para que a moeda digital tivesse blocos de oito Mb e não mais um MB.

Reinaldo Rabelo, diretor jurídico do Mercado Bitcoin, diz que a certa estabilidade da moeda em 2018 e o avanço na regulação de algumas jurisdições atrairão os investidores institucionais, que aceitam o risco, mas querem entender parâmetros desse risco.

No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) esclareceu, em setembro, ao tratar do investimento no exterior, que não veda o investimento indireto em criptoativos.

Publicado originalmente em Valor Econômico no dia 30 de novembro de 2018, conforme link: www.valor.com.br