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Foque na Capacidade Humana e o mercado de trabalho será seu

Foque na Capacidade Humana e o mercado de trabalho será seu
5 de janeiro de 2021 Vinicius Chagas

Foque na Capacidade Humana e o mercado de trabalho será seu

 

Autor: Vinícius Chagas

Colaboração: Juliana Sato e Maria Teresa Aarão

 

“a partir de um início, tão simples, infinitas formas, as belas e as mais maravilhosas, evoluíram e continuam a evoluir”. (Charles Darwin, A Origem das Espécies)

 

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos?

A inteligência humana é a característica que diferencia o homem das demais espécies. Sabemos que isso se deu através da Revolução Cognitiva datada entre 70 mil e 30 mil anos atrás.

Desde a evolução cognitiva, sabemos que duas principais ferramentas ajudaram a espécie humana na difícil tarefa de “dominar o mundo”: (i) a linguagem e (ii) a imaginação. Não sei se já notou, mas vivemos em uma realidade dualista, composta pela  objetiva e pela imaginada.

A realidade objetiva é aquilo que existe de fato, por exemplo, os rios, as árvores, as montanhas, os animais, nossos corpos etc. Enquanto que a realidade imaginada é aquilo que só existe nas nossas mentes, mas aceitamos também como realidade, tais como a ideia de nação, os diferentes idiomas, as leis, as regras sociais etc.

Em razão disso, podemos dizer que essa capacidade de imaginação criativa para a linguagem, a interpretação de fenômenos sociais, exposição de ideias, criação de coisas, gerenciamento de sentimentos é a “capacidade humana” de transformação das ideias em realidade.

 

Entender as consequências e o potencial dessa capacidade é muito importante para um melhor posicionamento no novo mercado de trabalho.

 

Depois de muito tempo após a Revolução Cognitiva, uma outra revolução entrou em cena: A revolução industrial do século XVIII.

A dinâmica que se seguiu a partir disso trouxe para a sociedade o modelo de educação mais difundido do mundo ocidental até os tempos atuais: a linha de produção na educação.

Nesse modelo, a vida é dividida em dois grandes blocos

No primeiro bloco, que inicia na infância até a fase jovem adulta, o indivíduo acumula informação, desenvolve algumas aptidões e habilidades sociais e no segundo bloco, que inicia na fase jovem adulta até a aposentadoria, a pessoa usará as habilidades adquiridas no primeiro bloco para produzir valor para a sociedade e adquirir patrimônio (gerar riquezas). 

Contudo, em que pese esse modelo ainda seja aplicado já demonstra sinais de fadiga, ou melhor, já começa a se revelar ultrapassado frente à exponencialidade do mundo atual.

Estamos todos diante de um futuro incerto, talvez o mais incerto de todos os tempos vividos até o momento. 

As habilidades requeridas para o futuro não são claras como de outrora, isto é, se no passado bastava ter um diploma para exercer determinada função, não sendo levado em consideração habilidades intrapessoais, no mundo atual isso não se mostra mais uma verdade absoluta. Os “papéis timbrados” continuam importantes, mas não são mais os medidores de habilidades do profissional.

Embora acertar exatamente o que será relevante no mercado futuro seja difícil, uma coisa é certa: apostar todas as fichas no modelo de ensino tradicional-passivo, buscando apenas cursos superiores e pós-graduações subsequentes pode ser arriscado. Isso por conta da dinamicidade que o mercado exige, onde as coisas mudam muito rápido e, infelizmente, currículos tradicionais não conseguem acompanhar.

Acreditamos que estamos vivendo em uma fase de transição, onde coexistem o sistema tradicional de aquisição de formação e conhecimento técnico e o sistema inovador. Nós necessitamos ainda do modelo tradicional, é fato, mas devemos nos acostumar com o sistema inovador.  E o que é o sistema inovador?

 

O mundo atual transborda informação

No modelo antigo, no qual a informação era escassa e menos acessível, o papel dos professores e da formação em si era fundamental, pois trazia as informações e conhecimento aos estudantes. O estudante, nesse modelo, tinha um papel passivo, ficando seu conhecimento limitado a visão apresentada pelo seu tutor.

No entanto, a barreira de acesso à informação hoje diminuiu bastante. Ela ainda existe, é claro, mas é  inegável que hoje temos bibliotecas inteiras na palma de nossas mãos a qualquer hora e a qualquer lugar.

Nesse novo cenário, a dificuldade reside em saber o que fazer com a informação

Para conseguir ter a capacidade de extrair um sentido da informação, saber o que fazer com ela, qual sua real utilidade, criar coisas a partir dos dados disponíveis, aprender sozinho, será necessário focar na sua capacidade humana.

A Capacidade Humana é a capacidade de abstrair, de ter ideias inovadoras, de aplicar a imaginação na resolução de problemas. Por isso, mais importante que estar abarrotado de informações, é cultivar algumas habilidades, essencialmente humanas, que vão te permitir lidar com a velocidade do mundo atual, usando a abundância de informação a seu favor. 

Assim, afirmamos com tranquilidade que o seu foco atual deve estar no desenvolvimento das soft skills. 

Vale dizer, soft skills são habilidades intrinsecamente ligadas à chamada Capacidade Humana. Em resumo, todos nós já temos isso tudo de forma inerente, contudo, ela foi ao longo do tempo usada de forma tão mecânica, ou até mesmo ignorada, que hoje devemos nos concentrar nelas, e treiná-las novamente.

 

Hard Skill x Soft Skill 

Inicialmente, vamos à divisão básica entre hard skills e soft skills.

Hard skills são habilidades objetivas, que podem ser aprendidas e facilmente quantificadas. Em outras palavras, elas são tangíveis. Você aprende hard skills na sala de aula, com livros e apostilas, ou até mesmo no trabalho. Elas são avaliadas durante os processos seletivos e comparadas com as dos outros candidatos. 

Soft skills são competências subjetivas,  mais difíceis de avaliar. Também são conhecidas como people skills (habilidades com pessoas) ou interpersonal skills (habilidades interpessoais), porque elas estão relacionadas à sua forma de se relacionar e interagir com as pessoas. Vale dizer, não existe uma quantificação objetiva para avaliar se você possui ou não essa habilidade/competência. (fonte: Revista Exame

Atualmente, o modelo tradicional é focado nas hard skills, enquanto a sociedade exponencial clama pelas soft skills. 

Ocorre que as soft skills devem ser desenvolvidas, elas não são simplesmente “aprendidas” lendo um livro ou vendo uma palestra. Devem ser constantemente treinadas. E no que chamamos de sistema inovador, o indivíduo é ativo e autônomo, dependendo dele próprio a busca pelo aprimoramento constante.

Ao profissional do futuro, algumas das habilidades sociais e comportamentais que se mostram essenciais para o mercado são as destacadas abaixo.

 

Criatividade

A Criatividade pode ser definida como a capacidade de resolver problemas de uma maneira inédita, ou, como a imaginação aplicada para resolver problemas. (Fonte: link

Ela ganha destaque porque é a grande ferramenta utilizada na solução de problemas. (Problema não necessariamente tem um sentido negativo. Significa uma situação qualquer, um obstáculo, que precisa ser resolvido)

Inclusive, ela está entre as 10 habilidades demandadas no mercado de trabalho brasileiro, segundo estudo divulgado pela revista Época Negócios. As outras 9 são:

  1. Aprendizado ativo e estratégias de aprendizado
  2. Inovação e pensamento analítico
  3. Liderança
  4. Inteligência emocional
  5. Pensamento crítico
  6. Resolução de problemas complexos
  7. Resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade
  8. Programação e design tecnológico
  9. Design para software de serviços

Observando essa lista, fica nítido que as soft skills ganham cada vez mais peso no mercado de trabalho. 

 

Combinatividade

O professor de criatividade e palestrante, Murilo Gun, costuma chamar criatividade de “combinatividade” porque, segundo ele, a criatividade nada mais é que combinação de ideias pré-existentes, gerando uma nova ideia útil na resolução de um problema específico (Fonte: link).

Disso decorre que a criatividade de cada um vai depender muito das ideias prévias que cada um carrega consigo. Se o seu repertório é reduzido, suas ideias também serão.

Para estimular sua criatividade é necessário sair da zona de conforto, buscando aprendizados fora da sua área profissional, fora dos seus conhecimentos prévios, fugindo daquilo que você já conhece.

 

Inteligência Emocional

A capacidade de gerir as próprias emoções é uma soft skill que também será importantíssima (ela também está entre as 10+ na lista divulgada pela Época Negócios). Principalmente por dois grandes agentes que estarão, inevitavelmente, presentes nas nossas vidas daqui pra frente: o fracasso e as mudanças.

 

Fracasso

Estamos na era da inovação, e inovar significa fazer algo que nunca foi feito ou então fazê-lo de um modo diverso, que gere mais valor à sociedade. E uma constante do processo de inovar é o fracasso. 

No entanto, sabemos que desde cedo, o modelo tradicional de educação ao qual estamos acostumados, nos passa a mensagem de que o fracasso é algo ruim, que significa que você não é bom o bastante, que não é capaz ou coisas do gênero. 

Por mais que você leia sobre lidar bem com fracasso e já até aceite que fracassos são positivos, nós sabemos que é difícil lidar com eles. 

Por isso, a consciência de que será difícil e a persistência são essenciais para que isso dê certo. Lembre-se que os erros e os fracassos são parte natural de se fazer algo novo, sempre que você se aventurar por um caminho novo, o fracasso estará presente.

 

Mudanças

Como já falamos, as mudanças são uma tônica na era da inovação. A estabilidade e a linearidade das coisas não existem mais, e isso se reflete no mercado de trabalho. Contudo, a mudança, assim como o fracasso, não é um processo bem aceito pelo nosso maior chefe, o cérebro.

Embora o cérebro adulto seja mais flexível e volátil do que se pensava, reconectar neurônios e religar sinapses é um trabalho doloroso. Entretanto, na atualidade você não pode se permitir ter estabilidade, pensar que as coisas vão se manter iguais por muito tempo. 

Fazer isso é arriscar ser deixado para trás enquanto o mundo decola na sua frente. 

Todos nós vamos ter que aprender a nos reinventarmos o tempo inteiro, sem importar a idade ou a área de atuação profissional. Muita flexibilidade e inteligência emocional serão necessárias para lidar com as constantes mudanças. 

 

Conclusão

Finalizando esta conversa, esperamos que você tenha alcançado a ideia de que sim, será necessário bastante trabalho, planejamento e empenho para se adaptar às mudanças que se apresentam quanto ao futuro do mercado profissional. 

Será sim necessário romper os dogmas pré-estabelecidos desde os tempos de escola, bem como se afastar do modelo tradicional-passivo de educação, extremamente focada nas hard skills.

O momento é de buscar a autonomia, o autodidatismo e o desenvolvimento das soft skills. No entanto, como já dissemos acima, você já tem tudo o que é necessário para lidar com isso tudo, a sua Capacidade Humana. Ela existe em todos nós. Embora tenhamos muito a trabalhar, vamos lembrar sempre disso: foque na sua essência de ser humano que o mercado de trabalho será seu. 

 

Por fim, é sempre bom lembrar:

 

Robôs humanizados somente conseguem substituir o trabalho de humanos robotizados.

 


 

Vinícius Chagas é colaborador da Blockchain Academy, na área de Marketing e Conteúdo. Acadêmico de Direito, cursando atualmente o 5º ano no IBMEC-RJ e estudante de Desenvolvimento de Software na Trybe.

 

Juliana Sato é Strategy Advisor da Blockchain Academy. Advogada especialista em distressed assets. Atua no mercado de capitais há 8 anos. Pós-graduada em Processo Civil e Direito Empresarial pela FGV com extensões executivas em administração e finanças pela University of La Verne e Insper, bem como direito falimentar comparado pela University of Oxford e Columbia Law School. Cursando bacharelado em Gestão da Tecnologia da Informação pela FIAP.

 

Maria Teresa Aarão é Consultora da Blockchain Academy. Desenvolve softwares em múltiplas linguagens e sistemas operacionais. Atuou na área de Segurança de Redes e Criptografia. Responsável por produtos de Identidades Criptográficas e Aplicações. Curadora de conteúdo de tecnologia e instrutora de cursos de Arquitetura e Criptografia para Blockchain.