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Mercado Bitcoin compra Blockchain Academy de olho em formar profissionais e investidores

Mercado Bitcoin compra Blockchain Academy de olho em formar profissionais e investidores
5 de fevereiro de 2021 Lucas Araújo

Mercado Bitcoin compra Blockchain Academy de olho em formar profissionais e investidores

Maior exchange do país em volume de transações, empresa faz primeiro negócio após aporte multimilionário e mira desenvolver braço de educação para suprir carência de mão de obra e de educação ‘criptofinanceira’

Por Rafael Gregorio, Valor Investe — São Paulo

A plataforma de negociação de criptoativos Mercado Bitcoin anuncia nesta sexta-feira (4) a aquisição da Blockchain Academy, uma escola de blockchain e criptomoedas fundada em 2016 pela empreendedora Rosine Kadamani.

O negócio inclui a compra do braço editorial da Blockchain Academy, e é o primeiro movimento da exchange Mercado Bitcoin após o aporte de recursos por parte da GP Investimentos, Parallax Ventures, Fundo Évora, HS Investimentos, Banco Plural e Gear Venture, anunciado no mês passado – a ideia é sustentar um plano de investir R$ 200 milhões em 2021.

Fundada em 2016, a Blockchain Academy se estabeleceu como uma das mais relevantes fontes de formação no meio, e já ministrou cursos para mais de 5.000 alunos, entre investidores, programadores e operadores. No caminho, estabeleceu parcerias com empresas e órgãos reguladores.

A educação faz parte do Mercado Bitcoin desde o início, em 2013, quando não existia esse mercado no Brasil. Antes de falar do produto e explicar as vantagens, era importante educar, informar as pessoas sobre aquela tecnologia”, contextualiza Reinaldo Rabelo, presidente da exchange.

Conforme as informações se tornaram mais constantes e volumosas, contudo, a exchange passou a exercer um papel de curadoria e “fact checking”, protegendo usuários de informações falsas, ele diz. “Sempre houve uma vontade de criar uma escola para conteúdos para público amplo, desde iniciantes até mais avançados, tanto em relação ao investimento – trading, custódia – como à tecnologia-base”.

Fomento e formação

Segundo Rabelo, a escolha pela Blockchain Academy se deu pelo trabalho sério de Kadamani e pela linha de neutralidade que ela instituiu, e que a exchange pretende manter. “A gente vê a escola como uma entidade preocupada com conhecimento, e conhecimento é neutro. A escola não será um veículo de oferta de produtos do Mercado Bitcoin. O que a gente quer, de fato, é ampliar o alcance”, diz Rabelo.

A conta do CEO da exchange é simples: a escola já formou 5.000 alunos, mas o ecossistema do bitcoin no Brasil tem mais de 3 milhões de investidores; o bolo precisa crescer.

Além disso, ele diz, a Blockchain Academy se conecta melhor com players do mercado tradicional – como Febraban e até Anbima – do que as exchanges por si sós. “A escola é reconhecida como uma das principais vias para aqueles que atuam em ambientes mais tradicionais se conectarem com a tecnologia. É um veículo de ciência, não de negócios, e assim a gente quer que continue.”

A educação, ele diz, é o principal vetor para tirar do mercado fraudes e operações inadequadas: “Quanto mais pessoas conhecerem o ecossistema cripto, menores serão as oportunidades de histórias não verdadeiras prosperarem. Na fila do recreio, a musiquinha que vai tocar terá esse verso: ‘não acredite em promessas de rendimentos acima de 1% ao mês’”, ele brinca.

Além dos cursos e treinamentos, a Blockchain Academy tem uma editora que entrou no negócio e que, na visão do Mercado Bitcoin, será essencial para fomentar a pesquisa científica e, ao final, a inovação, em parcerias com centros universitários e alunos de mestrado e doutorado.

Kadamani, a fundadora da escola, deixou o comando executivo da empresa após a aquisição, e um novo executivo será anunciado em breve para “reforçar o posicionamento da Blockchain Academy como principal fonte de conhecimento do setor”, segundo o Mercado Bitcoin.

Demanda por mão de obra

Outro aspecto que Rabelo destaca é o papel da Blockchain Academy como uma formadora de mão de obra, em um contexto em que o crescimento do mercado cripto nos últimos anos vem gerando demandas – não plenamente atendidas – por programadores e especialistas.

“A gente ampliou bastante nosso número de colaboradores, e, depois de um certo tempo, você começa a contratar pessoas que nunca atuaram no mundo cripto. A gente percebe mesmo bancos e outras entidades buscando profissionais de blockchain. A gente vai turbinar essa capacidade da escola de atender mais gente, mais regiões e mais grupos sociais”.

Ao fim, a ideia, ele diz, é fomentar a inovação em blockchain e em criptoativos no país. “Estamos percebendo o mercado cripto cada vez mais relevante em outras regiões. O Brasil não pode atuar de forma passiva, não pode ser só um palco de prospecção de investidores; precisamos ser um ambiente que fomente empreendedorismo e construção de empresas e negócios. A Blockchain Academy tem esse papel de fortalecer o mercado brasileiro como um todo.”


*Publicado originalmente no link.