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Pagamento com criptomoeda hoje se compara ao cartão com carbono do passado

Pagamento com criptomoeda hoje se compara ao cartão com carbono do passado
24 de janeiro de 2019 Zwei Arts

Pagamento com criptomoeda hoje se compara ao cartão com carbono do passado

Época NEGÓCIOS acompanhou transações com bitcoins em lojas do Japão, onde o setor já tem regulamentação

POR MARIANA IWAKURA, DE TÓQUIO

Foto: Duncan Rawlinson

Nos caixas de uma grande loja de eletrônicos em Tóquio, no Japão, o cliente encontra uma miríade de formas de pagamento: os tradicionais cartões de crédito, cartões pré-pagos, opções de mobile payment como Apple Pay e Google Pay e soluções online como Alipay e PayPay. No canto, mais uma opção: bitcoin.

Se optar por esse meio de pagamento, o cliente mira a câmera do seu celular para o QR code em um aparelho da loja, confirma o valor, digita a senha e transfere o valor em bitcoins correspondente ao preço do item. Está pago.

A reportagem de Época NEGÓCIOS acompanhou a compra de produtos usando bitcoins em Tóquio. A criptomoeda como forma de pagamento começa a aparecer no país, um dos primeiros países a avançar na regulamentação dos criptoativos. Desde 2017, as corretoras dessas moedas são regulamentadas no país e precisam ser registradas na Agência de Serviços Financeiros do Japão. A indústria de criptomoedas tem o poder de se autorregular e emitir punições a empresas que fazem a intermediação desses ativos.

“No Japão, o lojista não precisa ser treinado. Existe uma cultura de uso do QR code e a transição é tranquila”, afirma Courtnay Guimarães, fundador da Cogno School e da Idea Partners e diretor técnico da Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain.

Não é, ainda, um procedimento disseminado – os japoneses têm por hábito usar dinheiro vivo no dia a dia. Vendedores das lojas afirmam que a opção do pagamento por criptomoeda é mais feita por turistas e, mesmo assim, poucas vezes por dia. Alguns atendentes ainda têm dúvidas em relação ao procedimento de venda.

“O pagamento com criptomoeda é, agora, o que o cartão carbonado era antigamente. No começo, uma ou outra loja tinha, mas o sistema evoluiu com o passar do tempo”, afirma Rocelo Lopes, CEO da Stratum Blockchain Technology.

Para o lojista há a vantagem da instantaneidade da transação, além da redução de custos pela eliminação de intermediários, como operadoras de cartão. Ele pode contratar, no entanto, empresas ou plataformas que façam o recebimento e a conversão dos criptoativos para moeda local. É preciso considerar as taxas de movimentação paga aos mineradores da criptomoeda. “Existe um elemento de marketing. Aceitar bitcoin mostra o pioneirismo da empresa”, afirma Rosine Kadamani, cofundadora da Blockchain Academy.

Brasil

País em que as criptomoedas ainda carecem de regulamentação, o Brasil também vê alguns usos dos ativos como meio de troca. Nesse caso, a transação é reconhecida juridicamente como uma permuta.

A troca pode ser vantajosa pelo aspecto dos custos, já que o dono do estabelecimento não precisa arcar com as taxas da máquina de cartão nem com a antecipação de recebíveis. Há, no entanto, o problema da variação de cotação das criptomoedas, o desconhecimento e a desconfiança sobre o tema. “A empresa aceita bitcoin porque entende a sua relevância e porque tem menos custos. Mas isso não quer dizer que não existam problemas de volatilidade e de uso”, diz Rosine.

Publicado originalmente em Época NEGÓCIOS no dia 21 de janeiro de 2019, conforme link: epocanegocios.globo.com