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Preço do Bitcoin: o que está acontecendo?

Preço do Bitcoin: o que está acontecendo?
30 de novembro de 2018 admin

Preço do Bitcoin: o que está acontecendo?

Por Allex Ferreira

Pouca gente sabe quão grande e importante é o mercado OTC (over the counter) de Bitcoin e criptoativos no mundo, especialmente na Ásia. Uma das maiores empresas que opera compra e venda de grandes quantidades de ativos digitais no continente asiático é a OSL, sediada em Hong Kong.

Desde o início de novembro venho me comunicando por e-mail com o vice-presidente de trading da companhia, Fernando Martinez, e gostaria de compartilhar com meus leitores algumas das visões e opiniões que ele possui sobre o mercado em geral e também em relação aos últimos movimentos de preço do Bitcoin.

É de conhecimento de quem acompanha o mercado com frequência que o preço do Bitcoin esteve lateralizado por mais de dois meses, especificamente entre 6 de setembro e 13 de novembro, sendo negociado entre as faixas de US$6200 a US$6500. Muita gente ficou se perguntando porque o mercado apresentou volatilidade tão baixa durante aquele período. Na visão do Fernando Martinez, um dos fatores que explica aquela calmaria de volatilidade e possivelmente outras que virão que pela frente é a proliferação de instrumentos financeiros sofisticados que aumentam a liquidez do mercado e, consequentemente, reduzem a volatilidade.

“Várias empresas e plataformas agora oferecem produtos derivativos de criptoativos, como futuros, forwards, opções e swaps, bem como a capacidade de emprestar e tomar emprestado ativos digitais. Antes, isso era muito limitado e à medida que a indústria vem amadurecendo e os investidores institucionais vêm entrando no mercado, a necessidade por esses tipos de produtos aumenta. Além disso, à medida que a concorrência começou a crescer, as empresas começaram a ter uma vantagem com produtos mais amplos para oferecer ao público mais sofisticado”, escreveu o vice-presidente da OSL.

Martinez não acredita que a narrativa criada em torno dos ETFs (entenda mais sobre esses produtos financeiros em um post especial que publicamos aqui) possa ser um catalisador para subida do preço do Bitcoin no curto prazo, mesmo que seja aprovada no final deste ano. “Essa história é muito antiga. Acredito que o impacto no preço de um ETF já está considerado nesta faixa de preço que temos agora. É claro que se um ETF for aprovado trará mais capital para o mercado e criará uma tendência positiva de longo prazo, no entanto, as oscilações de preço e volatilidade que ele poderia trazer de volta como foi em 2017, quando o Winklevoss primeiro apresentou o pedido, é consideravelmente menor”, analisa o executivo.

Em relação ao tamanho do mercado de balcão (OTC) no mundo, ele garante que as negociações bilaterais possuem maior volume que aqueles registrados nas principais exchanges do planeta. “O volume de balcão sempre foi consideravelmente maior do que nas exchanges. A realidade é que as exchanges que são reguladas e têm relações bancárias legítimas não têm liquidez suficiente, e as exchanges que não são altamente reguladas têm liquidez, mas carecem de relações bancárias. Este é um problema para o investidor institucional, pois você precisa oferecer tanto regulamentação / conformidade quanto liquidez. No mercado OTC, é mais fácil identificar a contraparte e oferecer um método rigoroso de práticas de KYC e AML. Além disso, o mercado OTC atende interessados que desejam acessar pools maiores de liquidez e oferece relacionamento bancário em todo mundo, com liquidação 24 horas para contrapartes que passam pelo processo de verificação rigoroso, como acontece na OSL”, diz Fernando. Reitero aqui o fato de ter experimentado algumas vezes a velocidade de operação da mesa de negociação da OSL em operações que conduzi ao longo dos últimos meses.

Na visão dele, atualmente, o mercado asiático possui mais vendedores de criptoativos do que compradores. “Na América Latina, é o contrário, existem mais compradores devido às oportunidades de arbitragem. Além disso, na América Latina o mercado começou a deslanchar em termos de volume e se tornou uma região importante para ser acompanhada”.

Na última segunda-feira, 27 de novembro, recebi outro e-mail do Fernando com uma análise muito interessante sobre a forte queda no preço do Bitcoin desde meados de novembro. Compartilho aqui com vocês na íntegra a análise do VP da OSL, a maior mesa de negociação de Bitcoin na Ásia:

“No final de outubro, tínhamos uma capitalização de mercado total de US$210 bilhões. Atualmente, temos US$113 bilhões, ou seja, quase US$100 bilhões foram varridos do mercado. Algumas pessoas dizem que o catalisador desta queda foi o hardf ork do Bitcoin Cash, que culminou com as versões ABC e SV, e também devido à guerra de hash (hash war) entre essas duas redes. No entanto, a realidade é que este sell off deveu-se a múltiplos fatores para ter tido um impacto tão grande e que inclusive trouxe o retorno da volatilidade ao mercado.

Esta foi a tempestade perfeita, de um lado você tem todos os tokens de protocolos, que são tecnologias fantásticas e têm grandes aspirações para revolucionar o mundo, mas não têm qualquer uso diário massivo. A maioria dos tokens ainda está sendo usada da mesma maneira que os tokens de infraestrutura são usados. Aí, você tem a SEC pedindo a alguns ICOs para devolver os fundos, enquanto continuam a considerar os projetos como valores mobiliários. Além disso, temos todos esses milhões de dólares que foram levantados e que podem estar de volta nas mãos dos investidores. No entanto, podemos apenas especular que nem todos os projetos tiveram um departamento do tesouro que se preparou para isso. Então, se eles não puderem pagar de volta, eles serão apanhados em estado de falência. Isso levou à liquidação dos principais protocolos que permitem contratos inteligentes em 2018, sendo o mais famoso o ETH. Atualmente, não vemos nenhum suporte para ETH, se quebrar US$100 / ETH, poderíamos ver níveis de US$80 / ETH.

No que diz respeito aos tokens de infraestrutura, estamos vendo que eles foram muito abalados com o hard fork do BCH, e muitos mineradores mudaram completamente a atenção para esse evento. Como a guerra de hash que ocorreu entre o SV e o ABC, isso resultou em um efeito negativo para o ecossistema e os investidores de varejo e os hodlers, que não estavam muito confiantes com o resultado de curto prazo, começaram a vender seus ativos. Como o hashrate do Bitcoin continua a cair, isso levou muitos mineradores a fechar suas plataformas de mineração. [Nota do Barão: inclusive eu desliguei recentemente mais de 1500 máquinas de mineração de Bitcoin que estava na China]

Parece haver suporte no nível dos US$3500 para o Bitcoin, mas considero que ele ainda está sendo testado”, concluiu Fernando Martinez, VP da OSL.

Barão

Publicado originalmente em Barão do Bitcoin no dia 29 de novembro de 2018, conforme link: www.baraodobitcoin.com